Administração Trump aponta pelotões de fuzilamento e eletrocussão como métodos de pena de morte

Administração Trump aponta pelotões de fuzilamento e eletrocussão como métodos de pena de morte

Pelotões de fuzilamento, morte por gazes letais e eletrocussão são métodos que o presidente americano acredita poderem suprir a falta de drogas que por norma são usadas nas injeções letais.

RTP /
Foto: Matt Mills McKnight - Reuters

Ao mesmo tempo que se vangloria de ter feito o regime de Teerão desistir da execução de oito mulheres, o presidente Donald Trump vem dar a sua contribuição para superar as dificuldades que os Estados Unidos têm enfrentado para levar a cabo a execução de penas de morte. 

Fuzilamento, eletrocussão, gaseamento são apontados como métodos viáveis para o Governo federal num relatório do departamento de Justiça.


Esta quarta-feira, o papa Leão VIX deixa uma mensagem em que elogia a vida humana, pedindo que seja protegida desde o momento da conceção até à sua morte natural.

Uma mensagem conhecida ao mesmo tempo que se tornou público o relatório do Departamento de Justiça norte-americano em que se procura com métodos como o fuzilamento, eletrocussão, gaseamento ultrapassar a dificuldade de anos da justiça americana com o abastecimento das drogas necessárias para levar a cabo a execução por injeção letal.

Há anos que os Estados Unidos se confrontam com a falta de drogas necessárias para aplicar a pena de morte por injeção letal devido á recusa de muitas farmacêuticas de venderem os seus produtos para esse fim por quererem evitar a violação de leis europeias.

O relatório do Departamento de Justiça adiciona agora os pelotões de fuzilamento, a eletrocussão e a asfixia por gás como métodos alternativos de execução de pessoas condenadas pelos crimes federais mais graves. Trata-se de métodos que podem já aplicar-se ao nível de alguns Estados, mas que seria agora de estender ao nível federal.

A Reuters, que dá notícia do relatório, lembra que cinco Estados têm esquadrões de fuzilamento, com o Idaho a preparar-se para adotá-lo como método principal em julho, de acordo com o Death Penalty Information Center, um grupo de investigação sem fins lucrativos em Washington.

E a Carolina do Sul realizou no ano passado a primeira execução por esquadrão de fuzilamento no país em 15 anos, depois de Brad Sigmon, condenado pelo assassinato dos pais da ex-namorada, escolher esse método, dizendo que temia que as alternativas cadeira elétrica e injeção letal pudessem resultar numa morte mais lenta e dolorosa.

Há dois anos, em 2024, o Alabama tornou-se o primeiro Estado a executar alguém ao forçar nitrogénio nas vias respiratórias através de uma máscara facial, sufocando-o, um método que desde então foi adoptado pelo Arkansas, Louisiana, Mississippi e Oklahoma.

A recomendação deste relatório vem também cumprir a promessa de Trump de retomar a pena de morte ao nível federal no seu segundo mandato depois de, no primeiro turno, ter retomado a pena de morte após uma pausa de 20 anos, executando 13 prisioneiros federais com injeção letal nos últimos meses do mandato.

O procurador-geral interino, Todd Blanche, que divulgou o relatório, autorizou a solicitação de sentenças de morte contra nove pessoas depois de Trump ter revogado uma moratória sobre execuções federais estabelecida pelo antecessor, o presidente Joe Biden.

"Entre as ações tomadas estão a readopção do protocolo de injeção letal utilizado durante a primeira Administração Trump, a expansão do protocolo para incluir modos adicionais de execução, como o pelotão de fuzilamento, e a simplificação dos processos internos para acelerar os casos de pena de morte", anuncia o comunicado.

Blanche instruiu o Gabinete de Prisões do Departamento de Justiça a modificar oos protocolos de execução "para incluir modos adicionais e constitucionais de execução que são atualmente previstos pela lei de certos Estados", referindo-se aos métodos antigos (pelotão de fuzilamento e eletrocussão) e ao novo método de asfixia por gás pioneiro no Alabama em 2024.

"Esta modificação irá ajudar a garantir que o Departamento esteja preparado para realizar execuções legais, mesmo que um determinado fármaco não esteja disponível", dizia o relatório.

(com Reuters)
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